Indicadores Brasileiros sobre Fiscalização Eletrônica de Velocidade

Autores

Ana Beatriz da S. Marques

Jorge Tiago Bastos

Marcelo Corrêa de Paula Silva

Omar David Ordoñez Sayago

Data de Publicação

29 de abril de 2026

Sumário executivo

Este estudo apresenta um diagnóstico da fiscalização eletrônica de velocidade no Brasil, com foco na construção de indicadores de desempenho da segurança viária associados ao uso de câmeras fixas de segurança. A pesquisa parte do entendimento de que a velocidade é um dos principais fatores de risco no trânsito, pois afeta tanto a probabilidade de ocorrência de sinistros quanto a gravidade das lesões resultantes.

A partir de dados oficiais extraídos dos relatórios de verificação do INMETRO, o trabalho estruturou sete indicadores de fiscalização eletrônica de velocidade para o Brasil e para as Unidades da Federação, contemplando dimensões como número de faixas fiscalizadas por frota, número de câmeras por frota, cobertura em vias urbanas e rodovias, eficiência da fiscalização eletrônica de velocidade, fiscalização em rodovias federais e faixas fiscalizadas em relação à distância percorrida – um importante parâmetro de exposição ao risco. O ano de referência adotado foi 2024, por ser o último ano com informações oficiais disponíveis sobre infrações e mortalidade no trânsito no momento da análise.

Os resultados mostram que, em 2024, foram identificadas 26.122 câmeras de segurança no Brasil, das quais 98,47% eram câmeras fixas, entre as quais 58,79% estavam localizadas em vias urbanas e 41,21% em rodovias. Entre 2024 e 2025 houve um aumento do nível de fiscalização eletrônica no Brasil de 4,16 para 4,35 faixas fiscalizadas por câmeras fixas de segurança por grupo de 10 mil veículos – um aumento de 4,57%.

No indicador geral de fiscalização por frota, o valor nacional foi de 4,16 faixas fiscalizadas por câmeras fixas de segurança por grupo de 10 mil veículos, com destaque para Distrito Federal, Ceará, Tocantins e Goiás entre os maiores valores. A análise dos demais indicadores revela diferenças importantes conforme a métrica adotada. Por exemplo, para o indicador do número de faixas fiscalizadas por câmeras fixas de segurança em relação à extensão de rodovias federais, Alagoas, Sergipe e Distrito Federal apresentam os maiores valores. Já para o indicador do número de faixas fiscalizadas por câmeras fixas de segurança em relação à quantidade de quilômetros percorridos pela frota, as unidades da federação com os melhores valores foram São Paulo, muito acima das demais Unidades da Federação, seguido por Rio Grande do Sul e Minas Gerais.

O estudo também avança ao relacionar os indicadores de fiscalização com indicadores de infrações e mortalidade. A análise de correlação indica que, nas Unidades da Federação em que o nível de fiscalização eletrônica é maior, o número de infrações de velocidade por faixa fiscalizada por câmera de segurança tende a ser menor. Esse achado sugere que a presença mais ampla da fiscalização eletrônica pode contribuir para aumentar a percepção de fiscalização e reduzir a incidência do comportamento de risco associado ao excesso de velocidade.

Os resultados deste estudo reforçam a importância da fiscalização eletrônica de velocidade como instrumento de gestão da segurança viária no Brasil e, mais especificamente, de gestão de velocidades. A construção de um conjunto de indicadores permitiu comparar o nível de fiscalização entre Unidades da Federação por diferentes perspectivas de exposição, como frota, tipo de via, extensão de rodovias federais e distância percorrida, entre outros. Essa abordagem torna o diagnóstico mais robusto do que a simples contagem absoluta de equipamentos, pois considera que a necessidade e a cobertura da fiscalização variam conforme o tamanho da frota, a malha viária e o volume de deslocamentos.

A partir da comparação entre Unidades da Federação, ficaram evidenciadas desigualdades territoriais importantes no que diz respeito à fiscalização eletrônica de velocidade. A associação observada entre maior nível de fiscalização eletrônica e menor número de infrações por faixa fiscalizada sugere que a fiscalização pode produzir efeitos que vão além da autuação pontual. Esse resultado é coerente com a lógica da gestão de velocidades: a efetividade da fiscalização não deve ser medida apenas pela quantidade de infrações registradas, mas principalmente por sua capacidade de induzir comportamentos mais seguros e reduzir a prática de velocidades incompatíveis com o ambiente viário.

Ainda assim, a fiscalização eletrônica deve ser compreendida como parte de uma política integrada. A literatura e as diretrizes nacionais e internacionais indicam que resultados mais consistentes dependem da combinação entre limites seguros, desenho viário autoexplicativo, medidas de moderação de tráfego, comunicação, educação, tecnologias veiculares, monitoramento contínuo e avaliação de impacto.

Highlights

  • Em 2024, foram identificadas mais de 25 mil câmeras fixas de segurança no Brasil;

  • Entre 2024 e 2025 houve um aumento do nível de fiscalização eletrônica no Brasil, de 4,16 para 4,35 faixas fiscalizadas por grupo de 10 mil veículos – um aumento de 4,57%;

  • Distrito Federal e Ceará lideraram o ranking das Unidades da Federação quanto ao nível de fiscalização eletrônica de velocidade dado pelo número de faixas fiscalizadas por câmeras fixas de segurança por grupo de 10 mil veículos;

  • Distrito Federal e Goiás lideraram o ranking das Unidades da Federação quanto ao nível de fiscalização eletrônica de velocidade dado pelo número de câmeras fixas de segurança por grupo de 10 mil veículos;

  • São Paulo e Rio Grande do Sul lideraram o ranking das Unidades da Federação quanto ao nível de fiscalização eletrônica de velocidade dado pelo número de faixas fiscalizadas por câmeras fixas de segurança a cada bilhão de quilômetros rodados;

  • Identificação de uma correlação inversa e estatisticamente significativa entre o número de faixas fiscalizadas por câmeras fixas de segurança a cada bilhão de quilômetros percorridos e o número de infrações de velocidade por faixa fiscalizada, ou seja, em Unidades da Federação onde o nível de fiscalização eletrônica é maior, o número de infrações por faixa fiscalizada é menor, indicando maior efetividade da fiscalização eletrônica de velocidade;

  • As capitais brasileiras com o maior nível de fiscalização eletrônica de velocidade foram Palmas e Brasília, respectivamente com valores de 12,98 e 11,14 faixas fiscalizadas por câmeras fixas de segurança por grupo de 10 mil veículos.

Sobre o Observatório

O Observatório Nacional de Segurança Viária é uma instituição social sem fins lucrativos, dedicada a desenvolver ações que contribuam efetivamente para a redução dos elevados índices de ocorrências no trânsito brasileiro. Com esse objetivo, um grupo de profissionais multidisciplinares decidiu reunir todo o seu conhecimento, experiência e motivação em um único projeto grandioso e desafiador: mobilizar a sociedade em prol de um trânsito mais seguro.

Agradecimentos

A equipe de autores e o agradece à Puerta Engenharia por disponibilizar os dados sobre fiscalização eletrônica no Brasil, através de sua “Plataforma Market Share - Fiscalização Eletrônica de Velocidade”.

Como citar

ONSV; UFPR (2026). Indicadores Brasileiros sobre Fiscalização Eletrônica de Velocidade. Observatório Nacional de Segurança Viária e Universidade Federal do Paraná. Disponível em: https://www.onsv.org.br/estudos-pesquisas/estudos-e-pesquisas

Licença de uso

Indicadores Brasileiros sobre Fiscalização Eletrônica de Velocidade (2026) por Observatório Nacional de Segurança Viária e Universidade Federal do Paraná está licenciada sob CC BY-NC 4.0. Para ver uma cópia desta licença, acesse http://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0/.